Relações Públicas é sobre conversar com pessoas. “Obviamente, esta atividade só pode ser exercida por pessoas e o cargo, ocupado por pessoas”, cita Roberto Porto Simões em seu livro Relações Públicas: Função Política (1995).

Imagine a seguinte situação: uma pessoa quer fazer um evento, mas não tem contatos de fornecedores, de convidados ou de local. O trabalho do profissional de RP é mediar esses contatos e fornecer uma melhor integração entre todos. Assim, tudo se sairá muito melhor do que esperado.

Além desse exemplo, e muito mais a fundo, a função de um RP é analisar a organização e traçar planos e estratégias para a melhor comunicação e imagem da empresa. As Relações Públicas são bem explicadas por Roberto Porto Simões, que foi um dos grandes precursores no que se refere ao curso e à profissão. Sua influência e contribuição para a cena de RP foi determinante para a consolidação de cada profissional já atuante ou ainda em formação.

Hoje é praticamente impossível falar de relações públicas sem que seu nome seja citado, pois sua contribuição estará presente nesta e nas próximas gerações de profissionais, servindo como fio condutor, nos ajudando a compreender cada vez melhor nossos deveres e práticas.

“Por dizer respeito à sobrevivência da organização, enquadro-a no mesmo plano das funções organizacionais: produção, financeira, marketing, recursos humanos, pesquisa e administração geral.

(…) A sociedade identificou a necessidade de uma atividade perita na gestão desta função. (…) E este, especificamente, é designado pelo termo Relações Públicas”.

Simões, psicólogo por formação, Mestre em Psicologia Organizacional e Doutor em Educação, foi um grande apaixonado pelas Relações Públicas. Afinal, seguiu este caminho por opção e não por formação. Dizia que RP é uma atividade e uma ciência e que nas universidades deveriam estudá-las, e não somente o profissional de RP.

Há quem diga que Simões não era um entusiasta de homenagens póstumas, pois acreditava que estas deveriam ser prestadas ainda em vida. Felizmente durante sua carreira recebera diversas e merecidas homenagens, porém, de qualquer forma gostaríamos de deixar aqui o nossa, que apesar de infelizmente não ser em vida, foi feita com muito carinho e de coração.

Roberto Porto Simões foi um grande professor e pesquisador da área de Relações Públicas, não somente no Rio Grande do Sul como no Brasil. Alguns estudiosos dizem que ele foi o único brasileiro a construir um arcabouço teórico sólido com a Teoria da Função Política em Relações Públicas.  Toda a sua vida profissional convergiu as nuances do mercado com o desenvolvimento acadêmico da atividade, baseando a perspectiva de que o relações-públicas é o profissional que faz a gestão da função política nas organizações. Alguns conceitos da obra de Simões são essenciais para a prática profissional, e dentre eles, eu destacaria as relações de poder, pois para o autor todo relacionamento denota e configura uma relação de poder. O profissional de Relações Públicas tem a informação como a sua matéria-prima, e a utiliza para buscar a legitimação da imagem corporativa das organizações. Ainda na época da minha graduação, durante um Congresso em São Paulo, eu tive a oportunidade de assistir uma palestra com ele, e foi excepcional ver o Prof. Roberto Simões explicando a um auditório lotado o que significava o tal conceito de “relações de poder”. Ele pediu para que todos se levantassem, depois solicitou que a platéia batesse palmas, e por fim, disse para todos sentarem. Ao final ele disse: “Vocês acabam de ver o que é alguém influenciar e estabelecer uma relação de poder com outros, afinal vocês fizeram exatamente o que eu disse para fazer”. No mês de janeiro deste ano, o Prof. Simões faleceu, mas deixou uma extensa obra, que apesar de ser difícil – numa primeira leitura – é extremamente rica e fascinante para quem dedica-se a estudar a área de Relações Públicas. A minha formação acadêmica – tanto na graduação como no mestrado – tem resquícios dos textos sobre a função política do Prof. Simões, e para mim será um eterno mestre.” disse o professor Marcelo Tavares.

“O professor Roberto Porto Simões contribuiu para uma perspectiva mais crítica quando falamos em um teoria das Relações Públicas. Isto porque a literatura da nossa área é majoritariamente prescritiva ao indicar o que fazer; ao recomendar determinadas práticas; ao idealizar, em alguns momentos, a prática de RP. Isso  me chamou a atenção quando ainda estava na graduação. À época eu descobri na prateleira da biblioteca o livro da Cicilia Peruzzo, Relações Públicas no modo de produção capitalista. Uma visão diferente de tudo o que eu já tinha lido até então. Cito ela para fazer referência a uma produção teórica que me apetece mais e que prof Simões realizava. Ele pontuou com sabedoria questões importantes sobre nossa prática, mas precisamente sobre o contexto em que se dá a prática das Relações Públicas. Este cenário implica um modo de produção de riqueza onde a relação capital-trabalho exige hoje,nas sociedades democráticas, a gestão de pessoas não mais investida de força e coerção (com exceções é claro), mas sim de persuasão,de mecanismos de diálogo e negociação. As Relações Públicas – na visão de Simões – se insere nesse cenário atuando na gestão das relações de poder e sendo também influenciadas por elas. Atua na gestão da função política da organização com seus diferentes públicos. Então, a pesquisa desenvolvida por ele e sua produção reflexiva sobre isso nos fornece uma leitura mais realista e menos romântica do que vem a ser o papel das Relações Públicas no contexto de uma organização privada inserida no modo de produção capitalista. Essa leitura também podemos trazer para o interior das organizações de interesse público, fazendo as devidas mediações, pois lá também encontramos relações de poder. Assim, recomendo aos alunos que experimentem a leitura do professor Simões como forma de refletir sobre nosso papel na engrenagem.” citou a professora Tânia Almeida.

Por fim, deixamos aqui o nosso agradecimento, muito obrigado por tudo, Roberto Porto Simões!